Em 15 de outubro de 2004, motivados por colegas que tinham dúvidas sobre como fazer as ações que objetivavam acabar com a assinatura de linhas telefônicas, optamos por realizar um curso sobre aquele tema.
O resultado foi excelente: criamos sólidos laços de amizade com inúmeros advogados que participaram do curso e, além de passarmos nossa experiência profissional aos colegas (detesto, acho extremamente pedante, o termo “ensinar”), aprendemos, e muito com os mesmos.
O fato é que ficamos “viciados” na energia boa que a atmosfera dos grupos de estudo até aqui montados contém. Desde outubro de 2004 até a presente data, sempre motivados pelos colegas (que merecem o maior respeito e carinho de nossa parte), já realizamos mais de 30 palestras para advogados.
Palestras estas que contaram com participações ilustres como a da Dra. Maria de Fátima Zanetti Barbosa e Santos, Dr. Ricardo Azevedo Leitão, Dr. Luiz Carlos Forghieri Guimarães, dentre outros que nos honraram em partilhar conosco seu conhecimento.
Em síntese, a idéia central das palestras que realizamos, dos livros que hoje começam a ser editados (já há três deles em fase de pré-edição), é, de certo modo permitir, viabilizar um constante aprimoramento ao profissional do direito.
E aprimorar é preciso. Temos aproximadamente, contando o período de estágio, 12 anos de experiência na área jurídica. Nesse período vimos algumas mudanças que deixariam boquiabertos advogados da década de 50, 60, do século XX.
No primeiro grande escritório em que estagiei, por exemplo, em 1993, a grande inovação tecnológica eram máquinas de escrever IBM elétricas com memórias para até 1.000 palavras. Era algo, para os padrões da época, inovador. A Internet, se a memória não nos falha, popularizou-se no Brasil, em meados de 1997, sem falar de novas formas de comunicação e armazenamento de dados que se desenvolvem e aprimoram dia a dia.
Com a tecnologia se desenvolvendo, a sociedade, a economia e, por conseguinte, o Direito se desenvolvem com ela. Isso implica num necessário e urgente exercício de constante atualização para o advogado; hoje mais do que nunca. E, quando falamos em atualização não estamos falando em Lei, Doutrina e Jurisprudência apenas, mas, sim em interligação entre as diversas áreas do Direito e as mudanças, cada vez mais rápidas do mundo. Não adianta em nada o Advogado ser um especialista, profundo conhecedor de responsabilidade civil, numa ação ligada a direito eletrônico, se o mesmo profissional não souber diferenciar um spam de um e-mail comum.
“Não é de muita valia ficarmos montados na experiência no mundo dinâmico em que vivemos”, esta brilhante citação de Amyr Klink no livro “Gestão de Sonhos” talvez traduza um pouco o que estamos procurando passar com esse texto. Trata-se de uma grande e inquestionável realidade. Outro dia vi um advogado criticar um livro que considero brilhante “Direito & Internet – Aspectos Jurídicos Relevantes” pelo fato de o mesmo quase não ter citações jurisprudenciais. Ora, caros colegas, isso é absolutamente normal, se considerarmos o tempo que um processo demora até ser julgado em Tribunais, salvo raríssimas exceções, nunca menor do que 5 anos, versus o tempo no qual a Internet começou a se popularizar, e, mais do que isso, tornar-se um instrumento de comunicação corporativa.
Agora, se o mundo, se a economia e a sociedade mudam com mais rapidez do que o Direito cabe então ao advogado, não procurar respostas em julgados que não se relacionem com a matéria a ser julgada, mas, por outro lado, criar, inovar, buscar fórmulas que, apesar de não testadas anteriormente, se ajustem ao problema de seu cliente. Isso somente será conseguido com um profundo conhecimento da sociedade em que vive.
Felizmente o padrão de advogado do Século XVIII está acabando. Aquele advogado que se limita a ficar em seu gabinete a tratar de grandes temas do Direito, que tem uma postura fria com o cliente, e [diz com orgulho que] somente lhe interessa o aspecto jurídico do problema do mesmo, está com os dias contados. Hoje, o bom advogado deve conhecer profundamente o cliente e o seu problema para que, não use necessariamente a melhor solução jurídica, mas, para que busque a solução que melhor se adapta à sua – do cliente – atividade. Sim, o advogado do Século XVIII, que se achava o foco, e ainda não conseguiu ver que o foco do seu trabalho é o cliente, está com os dias contados.
A sociedade hoje é mais dinâmica do que era há 5 anos, e, provavelmente em 2010 o será mais do que hoje. Precisamos estar atentos a estas mudanças. Dentro em breve (isso já existe no Juizado Especial Federal) os processos serão integralmente digitalizados e as petições, despachos e interposição de recursos será totalmente eletrônica. A cada nova tecnologia criada/desenvolvida, uma nova realidade (social) começa a se avizinhar a partir deste evento.
Com efeito, se é fato que novas técnicas alteram o curso da história, também é fato que o tempo no qual elas surgem vem se encurtando. Se do começo até a metade do século XX grandes alterações ocorriam com intervalos de 10 ou 15 anos entre si, podemos hoje, sem medo de parecermos precipitados, dizer que as décadas hoje não duram mais do que três anos.
Em suma, à vista desta realidade, o advogado que pretende continuar no mercado nos próximos anos, pode fazer duas coisas. Negá-la é uma das opções (que nos parece contraproducente). A outra [opção] é assumir uma postura profissionalmente proativa no sentido de antecipar-se a problemas, procurar aprender a aprender, ou seja, preparar-se para estar pronto para os problemas que baterão à sua porta nos próximos 2 ou 3 anos (talvez até menos), ser criativo, enfim.
Aprender a aprender, enfim, é a nossa proposta. Somos extremamente gratos a todos aqueles que, de certa forma, contribuíram para o sucesso do nosso trabalho. Em breve, no virar do próximo ano, estaremos lançando novos produtos que estarão sendo informados neste site.

PAULO PAPINI