COLUNAS
08/05/2008
ESTÁ COMPROVADO: PAPELEIRAS ESTRANGEIRAS ARRUÍNAM E SECAM O SOLO URUGUAIO E FARÃO O MESMO COM O SOLO DO RIO GRANDE DO SUL, NA METADE SUL E FRONTEIRA OESTE. A FEPAM TORNOU-SE UM BOLSÃO DE DECISÕES P
por: Rogério Guimarães Oliveira

Já se disse aqui das ameaças de exaurimento e desertificação do solo, pela brutal concentração de florestas de eucalipto em extensas áreas.  O eucalipto, quando plantado em grande escala e de forma concentrada, exaure todos os nutrientes do solo, elimina os ecossistemas formados pelos microorganismos e ainda absorve toda a água da superfície do solo.  Ou seja:  desertifica o solo em um curto espaço de tempo, tornando-o imprestável para a agricultura.  O problema já afeta extensas áreas do Uruguai e ameaça agora o futuro de extensas faixas de solo do Rio Grande do Sul.

O Governo Federal, alheio à dimensão do problema, está inclinado em reduzir a reserva de fronteira (na qual é vedada a compra de terras por empresas estrangeiras) de 150km para apenas 50km, para viabilizar a expansão das áreas de florestas de eucaliptos pelas empresas papeleiras multinacionais.  Estas empresas vieram para cá porque estão proibidas de plantar eucaliptos nas áreas mais nobres de outros lugares do mundo (como no caso das terras dos países de suas sedes), exatamente pelos estragos ambientais que causam a médio e longo prazo.

A matéria jornalística abaixo, publicada ontem pelo Correio Braziliense, dá uma boa idéia do que podem esperar os gaúchos daqui a alguns anos, especialmente os da zona sul e oeste.  O governo estadual gaúcho está fazendo de tudo para facilitar e permitir a invasão das mega-papeleiras no Estado, de olho nos impostos que arrecadará a curto prazo e outras vantagens econômicas.  Mas, e daqui a alguns anos, quando grande parte do solo do Estado transformar-se num deserto, quem será responsabilizado?

No momento em que o mundo sinaliza para a importância da preservação dos solos agriculturáveis para a a produção de alimentos, é de uma miopia descomunal o direcionamento de extensas faixas de terras férteis do RS para a produção de celulose para engordar os lucros da indústria maultinacional do papel, terras estas que acabarão exauridas, desertificadas e imprestáveis para se plantar qualquer coisa em poucos anos.

Os gaúchos da próxima geração pagarão caro pelas decisões inconseqüentes e irresponsáveis que estão sendo tomadas hoje pelas lideranças políticas e econômicas, ávidas pelos benefícios imediatos e de curto prazo da implantação aqui de uma parte da indústria da celulose mundial.

Incrível ainda é o papel desempenhado pela FEPAM (Fundação Estadual de Proteção ao Meio Ambiente), que exerce uma função mais política do que técnica ao liberar licenças sem qualquer critério cientifico, permitindo esta destruição em escala do solo gaúcho, em prol do lucro fácil de empresas estrangeiras em troca da desertificação a médio prazo de nosso solo.  Quando nossas terras não servirem para mais nada, estas mesmas papeleiras irão levantar vôo para se instalar e arruinar terras de algum outro país remoto e inconsciente do mundo, onde políticos e empresários sejam tão míopes, cegos e imediatiatistas quanto os nossos, verdadeiros vanguardistas do atraso.

Rogério Guimarães Oliveira, Porto Alegre

"As opiniões expostas aqui, não necessariamente refletem a opinião da empresa Papini Estudos Jurídicos. O autor, assim, responsabiliza-se, no âmbito civil, pelo conteúdo publicado"
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