COLUNAS
15/10/2008
A AMERICA FALIU : “...MAS QUEM VAI PAGAR A CONTA ?”

Antuérpio Pettersen Filho

Herdeira de um afortunado passado, em que correm nas suas veias o “Sangue Azul” do Antigo Império Britânico, que se ocupou, durante muitos anos, do Saque Corsário aos navios portugueses e espanhóis, vindos do Continente Americano, da África e da Ásia, de onde extraiam ouro, e especiarias, até financiarem a sua própria Revolução Industrial, com o quem dominaram praticamente o Mundo, até o advento da Primeira Grande Guerra Mundial, quando perderam, em grande parte, o seu apogeu, e hegemonia, sendo preteridos pelos Estados Unidos da América do Norte, sua Ex-colônia, a “América”, Anglo-saxônica, como os “Americanos” preferem auto-intitularem-se, numa atitude depreciativa ao restante da América, Central e do Sul, mais conhecido como “América”, vem vivendo, há longos, e muitos, anos, não mais do seu inegável Poder Fabril, e Financeiro, mas, sim, vem acumulando constantes Déficits Comerciais com todo o Resto do Mundo, de quem vem importando bens e insumos que, dão, ora, pujança a Economia Americana, diga-se de passagem, a maior de todo o Planeta.

 

                      Contudo, embora Defensores Maiores do Capitalismo, e da Economia de Livre Mercado, os EUA, ora sob Intervenção Governamental em seus Bancos , vêm, nas últimas décadas, negando a própria Gênese do Capitalismo, e da “Mais-valia”, cada vez mais dependentes do Financiamento Externo, na qualidade de Economia Mais Sólida do Globo Terrestre, quem atrai, ou, até ontem, atraia, “como moscas à luz”, Investimentos de todo o Planeta, antes, inabaláveis, mas, ora, não mais.

 

                      Assim sendo, é claramente perceptível à arrancada dos Estados Unidos , em níveis históricos, para consolidarem-se como a Maior Economia, e Potência Militar da História Humana, tão logo travaram, e venceram, a sua Guerra de Secessão, no Século XIX, dos Estados Industrializados do Norte, contra o Sul Agrícola, em que arrebataram da Inglaterra o controle do Mercado do seu próprio Algodão, partindo para as Conquistas Além-mar, de Cuba, Porto Rico e Filipinas, na famosa Guerra Hispano-americana, em que, apenas por pouco, não arrebitaram todo o México.

 

                      Daí, até a sucumbência da Europa, durante a Primeira e Segunda Grandes Guerras Mundiais, abrindo espaço para a Conquista Americana dos principais paises do Pacifico Sul, Japão, Coréia, e Indonésia, retirando da Zona de Influência Francesa e Inglesa toda a Índia, China e Indochina, foi apenas uma questão de conseqüência natural, em que, os EUA, só fizeram acumular riquezas, enquanto a Europa sangrava, por longos anos, nos escombros das Grandes Guerras, nunca mais erguendo-se de pé, a não ser através da injeção maciça de Recursos Americanos, do Plano Marshal, assim como na Coréia e Japão, pós Segunda Guerra.

 

                      Saídos do Período de Guerras, a despeito, inegavelmente, como a Única Potência Capitalista do Planeta, até cerca de 1989, com a Falência do Comunismo, com quem rivalizavam, pelo menos, ideologicamente, há muito tempo, no entanto, os EUA vêm diminuindo seus Fundamentos, palpáveis e reais, os quais lhe reservaram, sempre, o Papel Preponderante de Maior Economia Mundial, qual seja, o Papel de Potência Industrial, detentora do maior, e mais rico, Parque Fabril e Mercado de Consumo Mundial.

 

                      Maior em PIB, em Consumo de Eletricidade e Petróleo. Maior na Produção de Grãos e Maquinas. Automóveis e Aviões.

 

                      Sem outro igual no Planeta Terra.

 

                      Assim, em que pesem os EUA haver saído da Segunda Guerra Mundial como Maior Produtor de Aço e Navios do Planeta, além de possuir os Cofres Abarrotados, há anos, contudo, em nome da Guerra Fria, outrora, e em nome do novíssimo Combate ao Terrorismo, eles vêm sustentando a formação contraproducente de “Verdadeiros Monopólios”, através de “Tratados de Preferência Comercial”, que resgataram, por exemplo, a China Vermelha da influência Soviética, mas, ao pesado preço, ao longo dos anos, de escancararem seus mercados aos produtos de baixa qualidade chineses, o que equivale  dizer: a” perder postos de trabalho, e impostos, também, para a China”, como bem o fizeram em favor da Anexação Econômica do México, via Nafta, transferindo unidades fabris inteiras para o país.

                      Da mesma forma que, fizeram, ao Fim da Segunda Guerra, com o Japão e a Coréia do Sul, a fim de retira-los, também, da Órbita Soviética, via avolumados investimentos.

 

                      Hoje, ambos, Coréia, Japão e China, são Economias Concorrentes com a Americana, em muitos pontos do Planeta, de que sugam-lhe, ao mesmo tempo que, investem nos Títulos do Tesouro Americano, e na sua Carteira Imobiliária, a saúde e a auto-suficiência, contraditoriamente.

 

                      Dessa forma, ao mesmo passo que constroem Mísseis e Aviões de Última Qualidade, numa Superestrutura Econômica que lhes confere aliados imediatos no Oriente Médio ou África, pagos a regias quantias no Afeganistão ou no Iraque, os EUA, parecem haver se esquecido do Fundamento Máximo a que se atêm qualquer Dona de Casa, ou o Leitor, quando vai ao Supermercado: “A Sacola de Compras nunca pode ser maior do que o Dinheiro que cabe na Bolsa da Madame. Sob pena de que a Conta, na Venda da Esquina, não feche no Fim do Mês. E tome-lhe Juro...”

 

                      Assim sendo, há anos valendo-se do seu Super-peso de Consumidor Compulsivo, os EUA, totalmente expostos ao Financiamento Externo e a Fornecedores de Combustível Fóssil Internacionais, estão, inegavelmente, quebrados. Tal como quebrados ficarão todos os que, de uma hora para outra, resolverem tirar, em massa, seu Dinheiro da Esquálida Economia Americana, a qual, nos prova a atual Crise, não é somente Americana, mas da Europa, do Brasil e do Mundo Todo.

 

                      Eu quero, mesmo, é ver, Dona de Casa, que não tem nada a ver com o Citygroup, com o Manhathan, ou com Morgan Bank, se, no final, a Senhora também não vai pagar a Conta ? 

 Pettersen Filho


"As opiniões expostas aqui, não necessariamente refletem a opinião da empresa Papini Estudos Jurídicos. O autor, assim, responsabiliza-se, no âmbito civil, pelo conteúdo publicado"
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